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domingo, 3 de agosto de 2014

Museu Histórico: Uma herança de todos

Texto: Nayara Cardoso

Construído inicialmente em 1812 e inaugurado 1814 o prédio do Museu Histórico de Campina Grande, o segundo mais antigo da cidade chega aos seus 200 anos de edificação. Ele se encontra na Rua Floriano Peixoto (em frente à Catedral de Nossa Senhora da Conceição). Ao longo dos anos, passou por diversas transformações que enriqueceram ainda mais o seu valor histórico cultural, não só para o estado paraibano, mas para todo o país.

Museu Histórico e geográfico de Campina Grande
Sua estrutura já sediou a primeira cadeia do município, na época ainda chamada de Vila Nova da Rainha. Em 1896 após uma reforma tornou-se por 37 anos a agência do Telégrafo Nacional. Só a partir de 1983 o prédio tornou-se o atual Museu Histórico, tido atualmente como local de pesquisa para estudantes de diversas áreas e historiadores.

O museu conta com seis salas de exposição, sendo três no térreo e outras três no primeiro andar. Com um acervo variado de 227 itens, no qual estão fotografias, textos informativos, documentos não escritos (fosseis, materiais de trabalho, objetos de decoração, etc.), a exemplo dos aparelhos telefônicos, que mostram a evolução no processo comunicativo da sociedade antepassada. Nele ainda se encontra um arquivo de textos (alguns jornais antigos), material áudio visual, porém devido à ação do tempo a área está temporariamente fechada para restauração. 

História carnavalesca
  Hoje o edifício está sob a coordenação da historiadora Fátima Nóbrega, questionada sobre a importância de se manter e disponibilizar o acesso gratuito da cultura que o museu possibilita ao público, ela diz: “Aqui existe uma relíquia edificada, faz a diferença na Rua Floriano Peixoto, um patrimônio cultural histórico arquitetônico que encanta a todos, inclusive os turistas por manter as suas características originárias do seu surgimento”, frisou.

Além disso, Fátima também ressalta o valor que as escolas em parceria com a prefeitura possibilitam aos alunos, levando-os a conhecer e interagir com a história sociocultural de Campina. O museu é aberto ao público e funciona de segunda a sexta-feira das 8 ás 12 e 13 ás 17hrs, também durante os finais de semana e feriados são possíveis às visitas no horário das 8 ás 12hrs e conta com uma equipe de guias, preparados para conduzirem os visitantes.

Artesanato, Música e Literatura

As Primeiras exposições do Museu dos Três Pandeiros

Texto: Marcelo Oliveira


Visão da sala de Literatura
O Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), comumente chamado de Museu dos Três Pandeiros, está em sua primeira exposição. Aberto ao público desde o dia 10 de junho, o espaço oferece um diverso acervo que representa a cultura do estado e de toda a região Nordeste. De acordo com a administração do local, cerca de duas mil pessoas já conferiram as novidades.



O MAPP é dividido em três setores, cada um representando um aspecto da cultura paraibana: artesanato, música e literatura. Segundo o técnico administrativo Laerte Ferreira, a proposta é que o acervo seja renovado a cada trimestre, não havendo exposições fixas. “Só a parte de artesanato tem duas mil peças, que vão se revezar nas exibições”, explica.

Homenagem ao cantor paraibano Jackson do Pandeiro
Na sala dedicada à música, Jackson do Pandeiro é o grande homenageado. Painéis com textos informativos contam a história do cantor paraibano e do cenário artístico campinense. Livros, cordéis e revistas sobre sua vida ficam à mostra e computadores disponibilizam um grande acervo digital aos visitantes, com imagens, músicas, letras e vídeos dos mais variados artistas regionais.

O tradicional cordel ganha destaque no setor de literatura. Vários exemplares dessa arte ficam em exibição e cartazes com as capas dos mais famosos pendem do teto, homenageando os grandes autores. A cantoria e a xilogravura também são representadas. Textos contam um pouco mais sobre estas famosas artes do povo nordestino.

O artesanato é representado pelas obras de mais de 60 artistas paraibanos. As peças vão desde vasos e estátuas de argila a brinquedos de madeira, utensílios domésticos e roupas de couro. Também não poderia faltar a conhecida rendaria e o uso do algodão colorido. Tudo sempre evidenciando a tradição da cultura popular da região. “Tudo isso é importante para conservar objetos que não usamos mais, conservar a história”, diz Henrique Martins, que veio do Rio de Janeiro para conhecer o estado da Paraíba.

Apesar do pouco tempo de funcionamento, o Museu dos Três Pandeiros tem se mostrado um sucesso de público, devido principalmente a sua arquitetura. “O fato de o prédio ter sido projetado por Oscar Niemeyer dá muito mais visibilidade ao museu”, diz a estudante de jornalismo Priscila Guimarães, que também é monitora do espaço. Mas, além disso, todo o conteúdo também se mostra relevante para as pessoas. “É uma forma de manter vivos esses gêneros culturais pouco disseminados”, diz o assistente da curadoria de música, Sandrinho Dupan. 

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Cine RT ganha documentário

“Enquanto houver película”, o curta da vida real agora transcrito no cinema.

Texto: Bianca Mariano

Iniciaram-se entre os dias 15 e 16 de junho no Centro Cultural Lourdes Ramalho em Campina Grande, as gravações do documentário “Enquanto houver película” de Luiz Alves da Silva Júnior, diretor paraibano e concluinte do curso audiovisual mediado por André da Costa Pinto na mesma instituição. O curta tem como objetivo contar a história de Regilson Cavalcante, um mecânico que alimenta desde menino uma paixão pelo cinema, mantendo hoje de portas abertas o cine RT na cidade de Remígio.

Ainda na infância, Regilson alimentava paixão pelo cinema a partir dos restos de película que colhia para fazer pequenas projeções em sua casa, desta forma uma de suas falas foi incorporada ao título dando origem ao nome “Enquanto houver película”, sugestão de Emmanuel Messias um dos produtores do documentário.

Com a tarefa de fazer um trabalho de conclusão para o curso de audiovisual, Luiz Alves encontrou em Remígio a opção de contar uma história verdadeira do único cinema aberto fora de um shopping no interior do estado, entrando assim em contato com Regilson através de uma rede social.

Quando perguntado sobre sua principal dificuldade e expectativa, Luiz articula que "a grande dificuldade quando o assunto é uma iniciativa artística independente é a questão financeira, tivemos muito trabalho quanto a captação de recursos”. “Quero ao menos contar essa história da melhor forma possível e levá-la a muitas pessoas. O documentário trata da relação de uma pessoa com a arte e de como essa paixão move e muda sua vida, espero que quem o veja seja afetado também”, responde o diretor pretendendo não lançar outro projeto ligado diretamente ao audiovisual ainda este ano.

Cerca de quinze pessoas fizeram parte do projeto, encontrando-se agora na fase de edição, podendo ser lançado em agosto.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Literatura e arte visual no ExpoSesc

Texto: Elidiane Galdino 

É misturando a poética visual com o literário, o real com o ficcional que Flaw Mendes vem provocar o público campinense com a exposição “Colecionador de Horizontes – vol. 2” que integra a etapa 2014 do programa anual de exposições ExpoSesc, que incentiva e divulga artistas regionais. “Os artistas daqui muitas vezes não tem um apoio, alguém que direcione. E esse projeto serve de estímulo, os artistas passam pelo crivo de profissionais que analisam o trabalho deles, dão certo direcionamento. Nesse aspecto é um serviço de extrema importância porque forma artistas e público”, conta Flaw que participa do ExpoSESC pela segunda vez.
Processo de produção das obras
As obras foram criadas a partir de duas edições do livro ‘Menino de Engenho’de José Lins do Rego, uma datada de 1940 (ano de nascimento da mãe de Flaw) e a outra de 1981 (ano de nascimento do artista). A escolha dessa obra deve-se pelo fato da mistura da realidade com ficção, já que originalmente deveria ser um livro de memória e acabou se tornando um romance. “Esse perder-se da realidade na ficção me chamou a atenção porque eu acredito que realidade e ficção não são tão separadas assim, eles se dão de uma mesma vez, de uma única apreensão”, conta o artista.

Propondo um perder-se (ou achar-se) na realidade, Flaw se desfaz de dois livros e jornais, representando ficção e realidade, e os reapresenta como pinturas. “Tive que fazer todo aquele processo como se estivesse reciclando um papel, pra chegar a um nível que me deixasse satisfeito de apresentação”, comenta Flaw.

Obra: Composição sobre amarelo e azul
Sempre cercado pelo meio literário, esse meio serviu de desdobramento para o artista, a literatura e o visual sempre estiveram muito interligados. Encantado pela palavra e pelos símbolos, Flaw trabalha nesse campo a fim de ampliar o leque de opções e perspectiva, fazendo desperceber limites. A exposição tem como resultado obras com jogos de signos, apresentando as mais diversas e imbricadas relações de sentido na sociedade contemporânea. Ela ficará aberta ao público até o dia 05 de Agosto no Hall de entrada do Sesc Centro, localizado na rua Giló Guedes, 650 no bairro Santo Antonio

O Sarau do MAC e o Tributo a Manoel Monteiro

Texto: Valério Júnior.

Na última Quinta-Feira (24), foi realizado no Museu Assis Chateaubriand (MAC), localizado na Rua João Lélis, no bairro do Catolé, em Campina Grande, um tributo ao poeta Manoel Monteiro, dentro do projeto “Sarau do MAC”, criado com o objetivo de realizar saraus poéticos e musicais, divulgando a Poesia e a Prosa de poetas e escritores renomados.
Apresentação da Cia Cordel em Canto (Foto: Valério Júnior)
A Atração da noite foi a apresentação da Cia de Teatro Cordel em Canto, que trouxe a linguagem da literatura de cordel em forma de canções de roda, com viola e sanfona. Além da participação de estudantes da Escola Normal e Colégio Estadual da prata, que recitaram cordéis atuais inspirados nas obras de Manoel Monteiro.
“O Cordel da Escola é Normal” foi criado em conjunto com alunos da Escola Normal em um trabalho desenvolvido pela professora Adalgisa Pereira, em oficinas sobre cultura popular, com a colaboração do poeta Silas Silva.
Recitando "O Cordel da Escola é Normal" (Foto: Valério Júnior)
Valdênia Palmeira, estudante da Escola Normal, destacou que somos contemplados pela cultura de vários países, mas soubemos adequar à nossa região e aproveitamos ela da melhor forma. Disse ainda que foi uma experiência nova e gratificante ajudar na produção do cordel e recitá-lo para o público, “Foi Maravilhoso, porque todo mundo pensava que só poetas poderiam fazer cordéis, e nós conseguimos isso juntos, com a ajuda de Silas Silva”.

No Colégio Estadual da Prata, a literatura de cordel teve papel fundamental em discussões na disciplina de sociologia, disse a professora Socorro Oliveira, “Através de temas criados em sala de aula, em uma oficina de um projeto da Universidade Federal de Campina Grande na escola, foi produzido um cordel coletivo, com seis autores e considerado hoje por mim um fruto da disciplina".